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Eu iniciei o curso de Engenharia Química na Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1982. A minha história na catálise começou no último período do curso quando me inscrevi na disciplina optativa de catálise que era ministrada pelo Professor Martin Schmal. Na época ele me perguntou se eu queria fazer iniciação científica com ele no Programa de Engenharia Química (PEQ) da COPPE, mas avisou que não tinha bolsa! Foi assim que comecei a aprender sobre a preparação de catalisadores e algumas técnicas de caracterização disponíveis nos laboratórios 2 e 3 do porão do bloco H da COPPE. Como gostei muito dessa linha de pesquisa e o Schmal convencia qualquer um sobre as maravilhas da catálise, eu resolvi fazer o mestrado no PEQ/COPPE sob sua orientação e do pesquisador Roger Frety do Institut de Recherches sur la Catalyse/França, que passava um período no Brasil nessa época. Foi nesse período, estudando a aplicação de catalisadores bimetálicos na reação de hidrogenação, que fiz muitos amigos que hoje estão em diferentes universidades ensinando e trabalhando na área de catálise.
Durante o meu mestrado eu me interessei bastante pela caracterização de catalisadores. Então, eu resolvi aprofundar e adquirir novos conhecimentos em diferentes técnicas de caraterização realizando o doutorado nessa área. Em função do meu contato com o Roger Frety, eu fui fazer um doutorado sanduíche no Institut de Recherches sur la Catalyse (IRC) em Lyon na França, e lá fiquei por quase dois anos sob a sua supervisão e do pesquisador Bernard Moraweck que viria influenciar muito os meus conhecimentos. Este período foi muito bom pois os laboratórios do IRC tinham os mais modernos equipamentos de caracterização de catalisadores, com várias técnicas realizando medidas in situ, o que não havia no Brasil naquela época. Bernard Moraweck era o responsável pela realização das medidas de espectroscopia de absorção de raios X (XAS) dos catalisadores que eram usados nos diferentes grupos de pesquisa do IRC. Desta forma eu pude fazer um curso sobre esta técnica, aprender sobre o tratamento de dados e fazer medidas experimentais no já desativado laboratório sincrotron LURE em Orsay. Esta parceria com o Bernard continuaria ainda por muitos anos depois da minha defesa do doutorado, o que permitiu continuar usufruindo desta técnica até a entrada em funcionamento do sincrotron Brasileiro, o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). Foi também durante o meu doutorado que tive as primeiras experiências com a orientação de alunos. Na época, o Schmal me convidou para coorientar informalmente dois alunos de mestrado que trabalhavam na minha linha da dissertação do mestrado.
Após a defesa do meu doutorado eu realizei um pós-doutorado na própria COPPE por um ano e meio. Particularmente, eu passei a usar o conhecimento que eu tinha adquirido sobre a técnica de XAS na França para realizar as medidas do grupo de catálise da COPPE, desde o início da operação do LNLS. Durante esse meu pós-doutorado eu acabei realizando um concurso para pesquisador no Instituto Nacional de Tecnologia (INT), no qual fui aprovado e comecei a trabalhar em 1996. A vaga era para trabalhar no laboratório de catalise do INT. Na época era um grande desafio já que o INT não tinha a moderna infraestrutura que tinha sido montada no recém criado NUCAT na COPPE. Ao mesmo tempo, eu comecei a coorientar dissertações de mestrado e teses de doutorado com o Prof. Luiz Eduardo Pizarro Borges no programa de pós-graduação em química do Instituto Militar de Engenharia (IME).
No início de 1999, o Prof. Daniel Resasco veio ao Brasil participar de um Workshop e me convidou para fazer um pós-doutorado com ele na Oklahoma University entre agosto de 1999 até fevereiro de 2000. Nesse meu pós-doutorado eu comecei a trabalhar em uma área completamente nova para mim e na qual estou até hoje: a reforma do metano com CO2, um tema que já estava atraindo muita atenção da comunidade cientifica devido aos problemas das emissões de gases do efeito estufa.
A partir de 2002 eu comecei a trabalhar mais ativamente com os temas hidrogênio e célula a combustível. Coincidentemente, o Governo Brasileiro iniciou uma série de atividades que acabaram na criação do Programa Brasileiro de Células a Combustível e Hidrogênio, do qual eu participei ativamente na sua elaboração. O programa era baseado em redes cooperativas que eram constituídas por universidades de todo o país. Eu coordenei juntamente com o Prof. Schmal a rede de produção de hidrogênio, que era constituída por 14 instituições de todo o país. Os vários projetos que realizei na linha de produção de hidrogênio e célula a combustível foram extremamente importantes pois permitiram a modernização do Laboratório de Catálise do INT.
Em 2010 eu fui convidado a fazer parte do corpo de docentes permanentes do Programa de pós-graduação em química do IME, o que foi não somente muito importante para a minha carreira, mas, também, extremamente gratificante pois também gosto muito do ensino. Mais recentemente, em 2018, passei a integrar também o corpo de professores docentes do Programa de Engenharia de Biossistemas da Universidade Federal Fluminense. Durante toda a minha vida na catálise, eu participei na coorientação de dissertações e teses com colegas de diferentes universidades como Martin Schmal, Jose Luiz Fontes Monteiro, Lidia Chaloub Diegues, Vitor Teixeira da Silva, Fabio Souza Tonilo, Jose Carlos Pinto todos do PEQ /COPPE/UFRJ; Fabio Barboza Passos, Lisiane Veiga Mattos e Rita de Cássia Colman Simões da Universidade Federal Fluminense; Luiz Eduardo Pizarro Borges do IME; Carla Eponina Hori da Universidade Federal de Uberlândia, Soraia Brandao da Universidade Federal da Bahia, Jose Maria Correa Bueno da Universidade Federal de São Carlos.
Mais recentemente, eu comecei a trabalhar bastante no tema conversão de biomassa lignocelulósica através de diferentes tecnologias como a gaseificação, pirolise e fracionamento. Em função desta linha de pesquisa, eu acabei aceitando um novo desafio, e atualmente sou professor visitante na Ecole Centrale de Lille desde 2019.
Durante todo este meu percurso na catálise, eu sempre procurei estabelecer parcerias com professores brasileiros e estrangeiros pois acho muito gratificante a troca de conhecimentos e de experiências que temos nestas cooperações. Neste sentido, eu poderia citar como colaboradores estrangeiros: Daniel Resasco (Oklahoma University), Gary Jacobs (The University of Texas at San Antonio), Burtron H. Davis (The University of Kentucky), Xenophon Verykios (University of Patras), Krijn de Jong (University of Utrecht), Harry Bitter (University of Wageningen), Ted Oyama (Universidade de Toquio), Eduardo Lombardo, Laura Cornaglia e John Munera (INCAPE), Robert Farrauto (Columbia University) e Heick Ehrich (Leibniz Institute for Catalysis), Cesar Steil (Université de Grenoble), Nicolas Bion, Françoise Epron, Frederic Richard (Université de Poitiers), Sebastien Paul e Robert Wojcieszak (Centrale Lille), Patrick Gelin e Francisco J. Cadete Santos Aires (Institut de Recherches sur la Catalyse), Andras Erdohelyi (University of Szeged), Johannes Lercher (PNNL).
Eu também venho participando dos congressos nacionais de catálise, incialmente organizados pelo Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), começando no 4º Seminário de Catálise organizado pelo Arnaldo Faro em Canela (1987), e depois da criação da Sociedade Brasileira de Catálise (SBCat), na série dos Congressos Brasileiros de Catálise a partir de 1997 em Águas de Lindoia. Em vários destes seminários/congressos participei das comissões organizadora ou científica, sendo o presidente da comissão científica do 15º Congresso Brasileiro de Catálise realizado em Armação de Búzios em 2009. Com relação a SBCat, eu fui supervisor da regional 2 (Rio/Minas) em dois períodos (2007-2009; 2009-2011). Por duas vezes, eu fui agraciado pela SBCat com dois prêmios: Jovem Pesquisador em Catálise (2001) no 11º Congresso Brasileiro de Catálise em Bento Gonçalves e Pesquisador em Catálise (2011) no 16º Congresso Brasileiro de Catálise em Campos do Jordão.
Já se passaram muitos anos desde que comecei a trabalhar na área de catálise. Devo muito do que realizei a colegas e alunos com quem trabalhei ao longo desses anos. Vivi muitas crises econômicas, mas nunca passei por um período tão conturbado como nessa crise sanitária! Mas este é um lado fascinante da catálise pois mesmo nessa situação, nós podemos tentar contribuir com o que aprendemos para ajudar a ter um mundo melhor.
A minha trajetória profissional teve início na Refinaria de Paulínia da PETROBRAS, como técnico de laboratório de 1983 a 1988. Concluí o Bacharelado em Química com Atribuições Tecnológicas na UNICAMP em 1990 (Licenciatura em 1991). Durante a minha graduação atuei como aluno de Iniciação Científica daquele que seria o grande responsável pela minha formação científica, o Prof. Dr. Ulf Schuchardt (que viria a ser o meu orientador de mestrado e de doutorado), como bolsista financiado pela empresa Nitrocarbono S/A e, posteriormente, pela FAPESP. Em 1992 finalizei o mestrado (em catálise homogênea – processos oxidativos biomiméticos) e, em 1997, o doutorado (catálise heterogênea – peneiras moleculares). Este trabalho foi pioneiro no país e entre os primeiros no mundo a tratar dos métodos de síntese de peneiras moleculares mesoporosas do tipo MCM-41 (uma colaboração com o Prof. Roger Sheldon, Delft University of Technology, Holanda).
A experiência didática teve início em 1988, como professor do ensino médio público e privado. No período de 1994 a 2008 atuei na PUC-Campinas, onde formei o primeiro grupo de pesquisa na área de química da universidade. Sem acesso a programas de pós-graduação, neste período orientei 55 alunos de IC, com auxílio financeiro principalmente da FAPESP (JP e auxílios regulares) em pesquisas das áreas de adsorção e de catálise. As primeiras orientações de pós-graduação ocorreram após credenciamento na Faculdade de Engenharia Química da UNICAMP, numa parceria com a Profa. Dra. Elizabete Jordão.
Desde 2008 atuo na Universidade Federal do ABC. Temos um grupo de pesquisa com forte atuação na área de catálise homogênea e heterogênea e também na investigação de processos de adsorção. Os principais projetos em andamento estão relacionados a produção de catalisadores, conversão de biomassa e tratamento de efluentes por adsorção seletiva. Na UFABC orientei 20 dissertações e 5 teses, além da supervisão de 3 pós-doutoramentos, sendo a grande maioria dos trabalhos na área de catálise heterogênea. Ex-alunos mantiveram sua atuação na área de catálise, como profissionais da indústria química ou docentes do ensino superior (UNIFESP, UFGD). Também participo do Núcleo de Tecnologias Sustentáveis, que reúne 10 pesquisadores de distintas áreas, com o objetivo de propiciar o desenvolvimento e aperfeiçoamento de processos que utilizam biomassa, resíduos ou rejeitos industriais para a possível criação de iniciativas de inovação e de novos negócios. Na gestão, já atuei como Coordenador do Bacharelado em Química, do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia/Química e do Doutorado Acadêmico Industrial (DAI), e também como Pró-Reitor Adjunto de Pós-Graduação. Atualmente, sou o Vice-Reitor da Universidade.
Na pesquisa, temos diversas colaborações internacionais: Prof. Georgiy Shul’pin (Rússia), Profa. Isabel Fonseca, Prof. Armando Pombeiro, Dra. Marina Kirillova e Prof. Alexander Kirillov (Portugal), Prof. Jorge Sepúlveda Flores (Argentina), Prof. Ryong Ryoo (Coréia do Sul), Prof. Pierre Dixneuf e Dr. Christian Bruneau (França), Prof. Vladislav Sadykov (Rússia) e com o Prof. Paolo P. Pescarmona (Holanda). O Prof. Pescarmona atuava no “Centre for Surface Chemistry and Catalysis” da Katholieke Universiteit Leuven, na Bélgica, onde realizei um estágio em 2012. No Brasil, destaco colaboração com diversos pesquisadores do IPEN, UNIFESP, UNICAMP, UFAL, UFGD, UFSCar e USP-São Carlos. Todos os alunos de doutorado sob minha orientação realizaram parte de seus trabalhos nos laboratórios dos nossos colaboradores no exterior. Financiamentos da FAPESP, do CNPq, da CAPES e da Finep tem permitido o desenvolvimento dos projetos e a manutenção dos laboratórios. Em 2016 recebi o Prêmio UFABC de Inovação.
Finalmente, mas não menos importante, tive o enorme prazer de compartilhar a Diretoria da Sociedade Brasileira de Catálise nos biênios 2015-2017 e 2017-2019 com o saudoso professor e amigo Victor Teixeira da Silva.
Catálise no Brasil, também faz parte da minha vida!
Eduardo Falabella Sousa-Aguiar é carioca, engenheiro químico pela Escola de Química/UFRJ, com mestrado e doutorado em Catálise. De uma família de professores universitários, o lema em sua casa era “mens sana incorpore sano”. Seu bisavô, seu avô, e seu pai, Edmo Costa Sousa-Aguiar, eram arquitetos. Eduardo diz que se tornou engenheiro químico “por teimosia”.O influenciaram seu primo e padrinho, Edgard Sousa-Aguiar Vieira, engenheiro químico e PhD, e sua tia e madrinha Maria Helena Falabella, química e geóloga. Também foi de grande importância sua mãe, Maria Arminda Falabella Sousa-Aguiar, renomada professora de Literatura Francesa da UFRJ, que forjou seu gosto pelas letras.Era estudioso, mas também atleta. Foi nadador, campeão carioca dos 200m borboleta, tendo competido em campeonatos interestaduais e no exterior. A natação lhe proporcionou o sentido de disciplina, o que o ajudou na sua carreira de pesquisador.
Ao se graduar, ingressa, com sua amiga e Professora Emérita da UFRJ Adelaide Maria de Souza Antunes, no Mestrado do PEQ/ COPPE.Monitor do Prof. Martin Schmal, seu mentor e amigo, deve a ele seu interesse pela Catálise. Em 1978, ocorre o VI Congresso Ibero-americano de Catálise, presidido porSchmal. Colabora na organização e interagecom os professores David Trimm e Heinrich Noller. O curso do Prof. Noller sobre Catálise Ácido/Base revela um novo mundo para ele. Presta um concurso de bolsas do governo austríaco, tira primeiro lugar e ganha uma bolsa para estagiar na TechnischeUniversität Wien.
Antes, faz concurso para docente da área de Cinética e Termodinâmica da Escola de Química. Tira primeiro lugar, tornando-seProf. Assistente. Ingressa como membro da Comissão de Catálise do IBP, ajudando a organizar os primeiros Seminários de Catálise, em 1981 e 1983. Em 1985, é escolhido presidente do III Congresso Brasileiro de Catálise, em Salvador.
É contratado para trabalhar no CENPES. Vai para a Holanda, em 1985, para proceder à Transferência de Tecnologia da AKZO CHEMIE para o novo empreendimento. Ao voltar, em 1986, ajuda a instalar a Fábrica Carioca de Catalisadores, passando a trabalhar com o processo de síntese e modificação de zeólitas na planta. “Nada se iguala ao prazer de ver chegar à indústria uma rota que você idealizou, testou em laboratórioe fez o scale-up em planta piloto. Poucos têmessa realização, e eu a tive. Atuar na FCCSA fez toda a diferença na minha carreira profissional.”
Nunca abandona a docência.Diz: “toda universidade deveria ter professores em tempo parcial, que tenham vivido no mundo não-acadêmico”.Com o Prof. José Luiz Monteiro, orienta várias teses. Na FCC, colabora como saudoso Jorge Gusmão,publicando muitos artigos.Recebe o prêmio Governador do Estado de São Paulo por sua patente internacional sobre zeólitas fosfatadas. Criao conceito de acessibilidade e, com Maria Letícia Valle,patenteiao teste de craqueamento com triisopropilbenzeno.São dessa época as teses de excelentes alunos como Pedro Arroyo, Eledir Sobrinho, Celmy Barbosa, Marcos Pinhel, Lindoval Fernandes, José Marcos Ferreira, Henrique Cerqueira, Débora Forte, Maria Angélica Barros, Alexandre Leiras, Valmir Calsavara, Flávia Trigueiro, Cristina Hamelmann, Ricardo Pinto, Mirna Rupp e outros. Tais trabalhos muito contribuíram para o desenvolvimento da área de zeólitas no Brasil, formando profissionais que hoje atuam na Academia, na Indústria e no Governo.
Passa a integrar o programa internacional CYTED como ponto focal do Brasil no projeto sobre o desenvolvimento de uma zeólita A. A partir desse projeto, participa de diversos eventos do CYTED em 10 países, ministrando cursos.Por meio do CYTED, é convidado a integrar o SteeringCommitteedoInternational Centre for Science and High Technology da UNIDO/ONU, em Trieste, Itália. Como membro desse importante comitê, participa de inúmeras reuniões técnicas e de muitas publicações do ICS, sendo docente de vários cursos em diversos países. Organiza, em 1999, o International Workshop onCatalysis for Fine Chemistry, com mais de uma centena de pesquisadores de vinte países.
Dedica-seà síntese de Fischer-Tropsch. Passaa gerenciar, no CENPES, um grupo inovador intitulado Célula GTL que reunia especialistas da síntese de catalisadores à engenharia básica. Tal grupo gerou patentes e trabalhos científicos, sendo pioneiro no desenvolvimento de reatores de microcanais no Brasil.Começa uma importante colaboração com os professores espanhóis Mario Montes e José AntonioOdriozola. É eleito, com Martin Schmal e Fábio Bellot, presidente do 8th Natural GasConversionSymposium em Natal, 2007. Idealiza e cria, com apoio da Petrobras, a Rede Brasileira de Transformação Química de Gás Natural, que congregou mais de 70 pesquisadores de várias regiões do Brasil. Junto àilustre pesquisadora do INT Lúcia Appel, desenvolve um combustível alternativo, o dimetiléter erecebe o prêmio nacional da ABIQUIM.
Eduardo Falabella pode ser considerado um embaixador da Catálise brasileira e um desbravador. Primeiro brasileiro a proferir uma conferência plenária em um Congresso Ibero-americano (Cartagena, 1998),único sul-americano a ministrar uma Keynote convidada no 13th InternationalCongressonCatalysis, Paris, 2004, abriuum caminho para brasileiros. Em 2010, em Sorrento, Itália, foi eleito membro do CounciloftheInternationalZeoliteAssociation. Pela primeira vez um sul-americano ocupava tal posição. Foi escolhido para presidir a InternationalZeoliteConference, trazendoesse evento para a América do Sul, no Rio de Janeiroem 2016.Destaca a colaboração de seus amigos Claudio Mota, Cristiane Henriques e Heloise Pastore, sem cuja presença o congresso não teria sido realizado.
Começa a trabalhar em biomassanos anos 90, na tese de sua amiga e atual Professora Titular da UFPE, Celmy Barbosa. Recentemente, orientou teses em colaboração com o amigo Nei Pereira Jr., Professor Emérito da UFRJ, combinando Catálise Heterogênea com Catálise Enzimática. Declara que orientar alunos brilhantes como João Monnerat, Pedro Romano, Yuri Carvalho e Caio Rabello, ecolaborar com o querido Professor Donato Aranda, lhe deu ânimo para produzir mais. Suas publicações em conversão de biomassa o levaram a conferencista plenário no 1stInternationalCongressonCatalysis for biorefineries (CATBIOR), em Málaga, Espanha e no 2ndCATBIOR, em Dalian, China. Organiza o 3rdCATBIOR com a ajuda de Claudio Mota, Lucia Appel, Cristiane Henriques e Rochel Lago, no Rio de Janeiro, em 2015, gerando um volume da CatalysisToday.
Recebeu muitas condecorações. Destacam-se o Plínio Cantanhede, em 1994, o Governador Estado de São Paulo, em 1998, a Retorta de Ouro, em 2000, o prêmio Catálise e Sociedade em 2005, o Prêmio Nacional de Tecnologia da ABIQUIM, em 2008,e a Medalha Lavoisier do CRQ,em 2012.Recebeu, em 2013, o prêmio internacional James Oldshue do American InstituteofChemicalEngineers por sua contribuição à Engenharia Química Mundial. Em 2014, foi agraciado com o prêmio máximo da SociedadIberoamericana de Catálisis como investigador sênior. Em 2017, após proferir várias conferências convidadas na China, recebeu o título de Honorary Professor da China UniversityofPetroleum, Qingdao.
É Professor Titular do Departamento de Processos Orgânicos da Escola de Química da UFRJ. É poeta e contista premiado e está terminando seu primeiro romance. Segundo suas palavras, “a vida me deu muito; uma companheira (Christina) de todas as horas, um filho e uma nora dedicados, uma profissão que adoro“.
“Quem é Eduardo Falabella Sousa-Aguiar? Descobri, há anos, que não sou santo ou demônio, rei ou vassalo, sábio ou tolo. Sou, e tão somente, poeta. A poesia é a asa fugidia que me alça, a vela panda que me embala e impele. Na poesia sou corsário implacável a singrar mares não pacíficos, sou gaivota atrevida a mergulhar impune em canais gelados. Sou o nadador que descobre o pouco que importa quer se perca ou ganhe, quando se consegue beber a espuma das pernas dos primeiros sentindo nela um suave gosto de champanhe. Sou aquele que pretende iluminar as trevas de estradas não-trilhadas com enxames de vagalumes, que flutua indolente nas vagas tépidas de um mundo de sonhos, amando de forma indistinta e universal. Sou poeta e me orgulho disso. Sei que um dia me calarei. Mas até lá, permitam-me exercer meu canto, que não assusta nem fere. Entendam meu silêncio quando as sombras me inundam, abracem meu riso quando a luz me invade. E, sobretudo, aceitem esse homem que só quis ser ele mesmo...”
Não gostaria de usar este espaço para colocar apenas informações como se fosse um CV, mas mais para contar um pouco como iniciei e um pouco da minha trajetória com a preocupação maior de levar uma mensagem aos jovens: de que mesmo com todas as dificuldades é possível se construir algo, por mais que pareça impossível. A construção de um sonho leva anos, décadas e você pode nem mesmo vê-lo consolidado, mas não importa, o importante é contribuir. Sou graduado em Química Industrial pela Universidade Federal do Pará (1978) e Mestre em Ciência e Tecnologia de Polímeros pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1985). O meu verdadeiro contato com a Catálise se deu ao iniciar (1989) o meu Doutoramento na Université Pierre et Marie Curie - Paris/França, hoje Université Sorbonne, sob a orientação do Professor Gérald Djega-Mariadassou. A temática da tese foi toda voltada para a obtenção de combustíveis renováveis a partir de óleos vegetais usando catalisadores heterogêneos. Na época, todos os grupos importantes no Brasil em Catálise estavam situados nas regiões Sudeste e Sul. O Nordeste já contava com alguns grupos, mas na sua maioria, ainda formados por jovens pesquisadores.
A Catálise no Brasil foi desenvolvida em cima de trabalhos ligados a Indústria do Petróleo. Tendo isto em mente, ao terminar o Doutorado e com a obrigatoriedade de retornar ao Brasil e à minha Universidade de origem (Universidade Federal do Pará) surgiram várias perguntas extremamente inquietantes: Como desenvolver trabalhos com catálise heterogênea em uma região e em uma Instituição onde toda a pesquisa era voltada para Produtos Naturais? Como desenvolver trabalhos com catálise em uma região sem massa crítica e nem infraestrutura apropriada para trabalhos na área? Como conseguir financiamento para projetos em Catálise em um Estado que nunca produziu petróleo? A partir destas constatações tomamos a decisão de lutar para que a catálise tivesse um lugar na região ou pelo menos na Instituição. Ao longo destes quase 30 anos tivemos várias vitórias, mas também muitas derrotas. Das vitórias, criar um grupo de catálise voltado para o desenvolvimento de catalisadores para obtenção de combustíveis renováveis e produtos químicos de alto valor agregado com uma infraestrutura mínima para desenvolver trabalhos na área e a formação de dezenas de profissionais que hoje desenvolvem atividades nesta e em outras instituições, profissionais estes que terão como responsabilidade levar a catálise a um patamar mais elevado que o alcançado até o momento. Sem dúvidas, consideramos que somos parte da construção de algo e que teremos que lutar por gerações para termos grupos de pesquisa consolidados e com reconhecimento Nacional e Internacional em Catálise na Região Amazônica. A minha geração foi a partida e aos que vêm, o céu é o limite! Obrigado.
Meu interesse pela Catálise surgiu durante a iniciação científica, sob orientação da Profa. Adelaide Viveiros (IQ-UFBA), e nos estágios do curso de Engenharia Química da UFBA, na Oxiteno/ Setor de Engenharia de Processos (Camaçari, BA), e na COPENE (atual Braskem)/ Divisão de Pesquisa em Catálise (DICAT), sob supervisão da Dra. Maria Isabel Pais da Silva, atualmente, professora de Engenharia Química da PUC-RJ. A participação em um curso extracurricular sobre fundamentos em Catálise heterogênea, em 1986, também foi importante para a definição da futura área de atuação profissional, a pesquisa em Catálise.
No final do curso de graduação em Engenharia Química (junho de 1988) fui aprovada na seleção para o curso de Especialização em Petroquímica da Petroquisa (CENPEQ) e na Seleção para o curso de Especialização em Petroquímica, oferecido pela Universidade de Bolonha (UNIBO), em parceria com o grupo ENI (empresa de petróleo italiana) e financiado pelo Ministério das Relações Exteriores Italiano. Vislumbrando atrelar uma boa formação acadêmica a uma experiência internacional, optei pelo curso de especialização oferecido pela Universidade de Bolonha/ENI, uma das mais tradicionais instituições de ensino, fundada no ano de 1088.
Durante a disciplina de Cinética e Catálise, ministrado pelo Prof. Ferruccio Trifirò (UNIBO), renomado pesquisador em Catálise para Oxidação, houve o convite para realizar o trabalho de conclusão do curso de especialização no seu grupo de pesquisa. Assim, em janeiro de 1989 iniciei o estágio em pesquisa, no Departamento de Química Industrial da UNIBO, sob a supervisão do Prof. Gabriele Centi (atualmente na Universidade de Messina), sobre a Oxidação seletiva de n-butano utilizando catalisadores heteropolicompostos.
Ainda em 1989, houve a possibilidade de prestar seleção no doutorado no Politecnico di Milano (POLIMI), Dipartimento Giulio Natta, no grupo de pesquisa em Catálise, coordenado pelo Prof. Pio Forzatti. Ao ser aprovada na seleção, iniciei o doutorado em setembro de 1989 sobre o estudo de catalisadores perovskitas na reação do acoplamento oxidativo do metano, visando a conversão direta do metano em etileno, sob orientação do Prof Pierluigi Villa e coorientação do professor Luca Lietti.
Com o apoio da bolsa de estudos italiana, houve a possibilidade de apresentar os resultados em congressos prestigiosos em Catálise, como o 10th International Congresso in Catalysis (ICC), em Budapest (1992), o que na época só era factível para pouquíssimos pesquisadores brasileiros consolidados. Nestes congressos foi possível discutir resultados e ter novas ideias para a tese. Durante o doutorado houve também interação com o Centro de Pesquisas da Snamprogetti (atualmente SAIPEM), vivenciando a pesquisa tecnológica. Interessantes resultados foram obtidos, e foi depositada uma patente industrial pela Snamprogetti envolvendo alguns dos catalisadores sintetizados durante o doutorado, além da publicação de artigos científicos.
Após a defesa de doutorado em 1993, fui contratada como pesquisadora, pela empresa Becromal SpA (Milão) para o desenvolvimento de materiais utilizados na fabricação de capacitores eletrolíticos. A Becromal é um dos maiores produtores mundiais de folhas de alumínio, a principal matéria-prima utilizada para a construção de capacitores eletrolíticos de alumínio, garantindo a funcionalidade de quase todos os circuitos eletrônicos e aparelhos elétricos, incluindo aplicações em energias renováveis (eólica, solar) e todos os tipos de fontes de alimentação.
Em 1994 houve um convite para participar de um concurso no Instituto de Química da UFBA, e a possibilidade de retornar à casa após tantos anos no exterior, foi um misto de alegria e desafio, em função da discrepância entre as condições de trabalho em pesquisa. Em junho de 1994 fui aprovada no concurso para professor Adjunto no Departamento de Química Geral e Inorgânica, do Instituto de Química da UFBA (IQ-UFBA). Assim, aceitei o desafio, finalizei minhas atividades na Becromal SpA, em dezembro 1994, e ingressei na UFBA em janeiro de 1995.
No período de 1995 a 1997 integrei o grupo de pesquisa em Catálise do IQ-UFBA, atual LABCAT, coordenado pela Profa. Heloysa Andrade, a quem agradeço a oportunidade propiciada. Com a aprovação do primeiros projeto de pesquisa em 1997, na área de Catálise para polimerização utilizando catalisadores metalocenos, obtive espaço físico, e com outros docentes IQ-UFBA, a Profa. Zênis Novais, a Profa. Maria Luiza Corrêa e o Prof. Emerson Salles, foi criado o Grupo de pesquisa em Catálise e Polímeros (GCP), que coordeno desde sua criação, em 1997.
Coordenei vários projetos de pesquisa, CNPq, FINEP, FAPESB, alguns em parceria com a indústria (Braskem e Petrobras) que propiciaram a instalação de uma considerável infraestrutura para a pesquisa em Catálise no GCP, além da criação do Laboratório de raios X e microscopia do IQ-UFBA. Durante as pesquisas em Catálise para polimerização, tivemos a colaboração do saudoso e competente Prof. Roberto Fernando de Souza e do Prof. João Henrique Zimnoch dos Santos (IQ-UFRGS). Ressalto também a importante colaboração da Profa. Simoni Margareti Plentz Meneghetti e do Prof. Mario Roberto Meneghetti (UFAL).
Atualmente estou envolvida, prioritariamente, em pesquisas referentes ao desenvolvimento de catalisadores para obtenção de hidrogênio, combustão catalítica, e conversão de biomassa e de óleos vegetais.
Atuo nos Programas de Pós-graduação em Química (PGQUIM) e Engenharia Química da UFBA (PPEQ) tendo formado 24 mestres, 12 doutores, e mais de 50 alunos de IC e ITI. Dois ex-alunos, a Profa. Lílian Simplício e, recentemente, o Prof. Denilson Costa, foram aprovados em concursos no IQ-UFBA, e integram o GCP. Outros ex-alunos ingressaram em instituições de ensino como UFRB, IFBA e SENAI e na Indústria (Braskem). Ter auxiliado na formação destes profissionais me orgulha profundamente, pois representam nosso futuro!
Coordenei a organização do 10º Congresso Brasileiro de Catálise (CBCat), em Salvador (1999), contando com o apoio do Prof. Luiz Pontes e da Profa. Heloysa Andrade, ambos grandes entusiastas que ajudaram a disseminar a Catálise pelo Nordeste. Participei das comissões organizadoras de vários CBCats e dos encontros regionais da regional 1, os ENCATs.
Realizei estágios de pós-doutorado sobre preparação de catalisadores estruturados, com o Dr. Pedro Ávila e a Dra. Ana Bahamonde, no ICP-CSIC (Madri); experimentos in situ de combustão catalítica, com os professores Luca Lietti e Gianpiero Groppi (POLIMI) e caracterização de catalisadores por HRTEM, com o Prof. François Bozon-Verduraz (ITODYS, Paris 7).
Fiz parte da Diretoria da SBCat, e do Comitê científico da Rede Nacional de Combustão (RNC), da Rede Nacional de Hidrogênio e da Rede de Catálise do Norte e Nordeste (RECAT). As atuações em redes foram muito importantes por aumentarem o intercâmbio com outros pesquisadores e consolidar as linhas de pesquisa do GCP.
Dentre os colaboradores de outras instituições gostaria de lembrar do saudoso e competente, Prof. Victor Teixeira da Silva (NUCAT-COPPE), a quem carinhosamente chamava de primo, com quem coordenei um projeto CAPES/CNPq-PROCAD. Ressalto as colaborações com o Dr. Fabio Bellot Noronha e Dr. Marco André Fraga (INT), Dra. Cristiane Rodella Barbieri (LNLS-CNPEM), Profa. Elisabete Assaf (USP-São Carlos), Prof. José Geraldo (UFPE), Profa. Marluce da Guarda (UNEB) e o Prof. Carlos Augusto Pires (DEQ-UFBA). Destaco a colaboração do Prof. Roger Fréty (atualmente professor visitante, DFQ-UFBA), grande pesquisador francês, que muito ajudou a implantar a Catálise no Brasil.
Mantenho ainda fortes parcerias com instituições italianas, em especial o POLIMI, onde um competente ex-aluno, o Dr. Roberto Batista da Silva Jr. está atuando como pesquisador visitante; e o Instituto Italiano de Pesquisas em Combustão (CNR-IRC, Nápoles), com o Dr. Stefano Cimino e a Dra. Luciana Lisi.
Foram muitos anos de trabalho árduo e conquistas! Agora os desafios são maiores, mas seguimos em luta pela Ciência!