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13 03 Regional 2 Pesquisador Lus Felipe Rodrigues NotciaSou engenheiro químico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e atualmente sou professor substituto no Departamento de Processos Orgânicos da Escola de Química da mesma instituição. Minha trajetória científica começou ainda na graduação, quando tive a oportunidade de participar de projetos de iniciação científica voltados ao estudo de sistemas micelares aplicados à recuperação avançada de petróleo. Esse primeiro contato com pesquisa despertou meu interesse pela interface entre fenômenos moleculares e aplicações industriais.

Ao longo da minha formação, percebi que a catálise ocupa um papel central na engenharia química moderna. A possibilidade de direcionar reações químicas de forma mais eficiente, seletiva e sustentável tornou-se um tema recorrente em minhas pesquisas. Durante meu doutorado em Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos na UFRJ, realizado no LIPCAT (Laboratório de Intensificação de Processos e Catálise), sob orientação dos professores Eduardo Falabella, Pedro Romano e Camila Ferraz, investiguei catalisadores baseados em óxido de índio aplicados à conversão de CO₂ em metanol, buscando compreender as relações entre estrutura, propriedades eletrônicas e desempenho catalítico.

Atualmente, desenvolvo meu pós-doutorado também no LIPCAT, sob orientação dos professores João Monnerat e Pedro Romano, voltado ao estudo do coprocessamento de matérias-primas renováveis e fósseis em unidades de craqueamento catalítico em leito fluidizado (FCC). Este projeto é realizado em parceria com a Petrobras e tem como objetivo compreender os mecanismos de desoxigenação e transferência de hidrogênio envolvidos na conversão de bio-óleos e óleos vegetais quando processados conjuntamente com cargas fósseis. A pesquisa busca contribuir para o desenvolvimento de estratégias que permitam integrar matérias-primas renováveis às unidades industriais existentes, ampliando a produção de combustíveis com menor pegada de carbono.

De forma geral, minhas atividades de pesquisa concentram-se no desenvolvimento de materiais catalíticos e processos voltados à transição energética e à valorização de matérias-primas residuais. Nesse contexto, trabalho com temas como hidrogenação de CO₂, captura de carbono, reciclagem química de plásticos e síntese de materiais zeolíticos aplicados à conversão catalítica de biomassa e bio-óleos.

Acredito que a catálise continuará sendo um dos pilares da transformação industrial nas próximas décadas, e é extremamente motivador fazer parte de uma área capaz de conectar ciência, inovação e impacto ambiental positivo.

13 02 Regional 2 Camila Palombo NoticiaMinha paixão pela Química e pela ciência floresceu nas escolas públicas de Santo André. Aluna do ensino técnico em Laboratório Industrial na ETE Lauro Gomes, entendi que o esforço era o único caminho. Vinda de uma família humilde, fui a primeira a ingressar e me manter na universidade pública, uma conquista viabilizada pelos auxílios estudantis. Essa base me mostrou que a ciência é para todos, e a determinação abre portas. 
Na graduação na UFSCar, com o Prof. Edward Ralph Dockal, conheci a catálise homogênea, sintetizando complexos de metais de transição para reações de sulfoxidação, e achei fascinante. O mestrado e doutorado na USP, sob a mentoria do Prof. Benedito dos Santos Lima Neto, pude me aprofundar na química organometálica e polimerização via metátese com complexos de rutênio. Minha formação ganhou uma perspectiva global com um doutorado sanduíche na Alemanha, na Universidade de Stuttgart, com o Prof. Michael Buchmeiser, através do programa Ciência sem Fronteiras. Essa experiência internacional, focada na imobilização de catalisadores catiônicos do tipo Grubbs-Hoveyda para a polimerização em meio bifásico, não só me proporcionou um artigo de destaque no ChemCatChem como também ampliou minha visão sobre a conexão vital entre pesquisa fundamental e aplicação tecnológica. 
O pós-doutorado marcou uma transição estratégica: da catálise homogênea para a heterogênea, explorando nanopartículas. Inicialmente com a Prof.ª Liane Marcia Rossi (USP), trabalhei com catalisadores de Au e Pd para oxidação de álcoois e bioderivados num projeto FAPESP. Em seguida, minha jornada me levou à França (Centrale Lille), onde por vários anos atuei intensamente com reações de hidrogenação e oxidação de bioderivados (como furfural, HMF, glicose, hexanodiol) com o Dr. Robert Wojcieszak, Prof. Franck Dumeignil e Prof. Sébastien Paul. Minha jornada francesa, que começou como pós doutoranda com bolsa FAPESP-BEPE e depois com contrato francês, incluiu ainda colaborações com a indústria e outras instituições focando em processos catalíticos eficientes e sustentáveis, uma experiência que me conectou diretamente com desafios industriais. 
Isso me trouxe ao Laboratório de Intensificação de Processos e Catálise (LIPCAT), na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde tive o privilégio de trabalhar com os Prof. João Monnerat Araújo Ribeiro de Almeida, Prof. Pedro Nothaft Romano, Prof. Donato Alexandre Gomes Aranda e Prof. Eduardo Falabella. Comecei como pós-doutoranda em um projeto envolvendo um processo catalítico industrial de conversão de CO2 a metanol e hidrocarbonetos. Desde 2023, como docente do Departamento de Química Inorgânica do Instituto de Química, integro projetos com empresas do setor químico e energético. Minha pesquisa foca na transformação de bioderivados por rotas catalíticas sustentáveis (oxidação seletiva, hidrogenação, hidrodesoxigenação em condições livres de base) e na formação de éteres de alta densidade energética para combustíveis avançados. 
A catálise não apenas redefiniu minha trajetória profissional; ela revelou a essência da pesquisa: persistência, curiosidade e colaboração. Para os jovens pesquisadores, minha mensagem é clara: sigam sua paixão, busquem o "porquê" e ousem expandir fronteiras. A Química, através da catálise, oferece um universo para inovar e transformar o mundo. Sonhem grande e construam um futuro sustentável pela ciência!

Minha trajetória como pesquisadora iniciou na graduação, em 1996 comecei com a iniciação científica na COPPE/UFRJ, primeiramente em corrosão no Programa de Engenharia Metalúrgica e Materiais com os professores Miranda, Ponciano e Lúcio. Posteriormente, em janeiro de 1998, fui convidada pelo Prof. Martin Schmal para integrar o Núcleo de Catálise (NUCAT) sob coorientação do Prof Victor Teixeira, professor do IME, na época.

Já formada, ingressei no mestrado e emendei o doutorado no NUCAT, sob coorientação da professora Silvana Braun, na época, professora da PUC-Rio, especializando-me na área de catálise ambiental, pesquisando catalisadores para eliminação de material particulado de diesel, com destaque para materiais à base de molibdênio e vanádio suportados em alumina. O trabalho envolveu preparação e caracterização dos catalisadores, utilizando técnicas analíticas tradicionais e técnicas in-situ para investigar o mecanismo de reação (TPO, DRX, XPS, FTIR, DRS, TPR, DRIFTS).

Após o doutorado, colaborei em projetos de avaliação de catalisadores para aplicações industriais, incluindo parcerias com empresas como UMICORE, OXITENO, CBMM e Petrobras. Buscando consolidar minha carreira acadêmica, atuei como professora substituta da Escola de Quimica/UFRJ e fui aprovada no concurso público para Professor Adjunto do Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, ficando classificada em segundo lugar. Na mesma época, fui aprovada no concurso da Petrobras, sendo admitida em 2008.

Na Petrobras, tive oportunidade de me aperfeiçoar com o Curso de Especialização em Eng. de Processamento da UERJ e cursos avulsos de Negociação Empresarial e Criação de Negócios Inovadores no IBMEC. Além disso, tive a satisfação de aplicar meu conhecimento prévio em catálise nas unidades de hidrorrefino da Petrobras, tanto na especificação de catalisadores para as licitações, quanto na assistência técnica às refinarias, acompanhando partidas das unidades industriais ou na investigação de problemas operacionais.

O início da carreira foi marcado por participação ativa na comunidade científica, incluindo organização de encontros técnicos, workshops e colóquios de engenharia química, fomentando a integração entre pesquisadores, indústria e academia, em especial o 12º Congresso Brasileiro de Catálise (2003). Também apresentei trabalhos em congressos nacionais e internacionais (Sociedade Brasileira de Química, North American Catalysis Society, International Congress on Catalysis), publiquei artigos completos em periódicos de relevância, como Journal of Catalysis e Applied Catalysis, e integrei equipes de inventores de patentes no contexto do desenvolvimento de catalisadores e novas metodologias, tendo recebido o Prêmio Inventor Petrobras em 2024. Orientei alunos de iniciação científica e participei de bancas de graduação, mestrado e doutorado. Nos últimos 17 anos, o trabalho no Centro de Pesquisas da Petrobras (CENPES) envolveu projetos de Gasquímica e de hidrotratamento (HDT) de naftas e diesel, com maior disseminação interna do conhecimento, através de relatórios, padrões, apresentações em eventos técnicos e aulas ministradas na Universidade Petrobras, tendo limitada produção científica pública por questões estratégicas da empresa.

Sinto-me realizada profissionalmente, com o privilégio de trabalhar com o que gosto, de poder orbitar da bancada para a escala industrial, da academia ao mercado de catalisadores. Nessa caminhada catalítica também encontrei meu companheiro e muitos amigos que admiro, a catálise faz parte da minha história de vida.

4913541267792594492Minha trajetória acadêmica teve início na graduação em Engenharia Química, período em que comecei a desenvolver curiosidade pela pesquisa. Em 2008, ingressei na iniciação científica, experiência que foi decisiva para minha formação e para o despertar do meu interesse pela catálise. Posteriormente, realizei estágio na indústria, o que me proporcionou uma visão prática dos processos químicos e de suas demandas reais. Ainda assim, ao final da graduação, eu já estava convicta de que desejava seguir o caminho acadêmico e ingressar no mestrado.
Realizei o mestrado em Engenharia Química na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sob orientação da Profa. Cristiane Henriques e Dra. Cláudia Veloso onde estudei a formação de propeno e compostos aromáticos a partir do eteno, investigando essa rota como uma alternativa aos processos convencionais. Esse trabalho reforçou em mim o potencial da catálise como ferramenta estratégica para o desenvolvimento de processos mais eficientes e inovadores.
No doutorado, também pela UERJ, dei continuidade à minha formação em catálise, seguindo a linha de pesquisa em oligomerização de olefinas. Esse trabalho resultou na tese intitulada “Oligomerização de eteno catalisada por zeólitas de diferentes topologias”, e foi marcado por um amadurecimento científico significativo, com aprofundamento na compreensão da relação entre a estrutura do catalisador e o seu desempenho catalítico. Durante o doutorado, tive a oportunidade de realizar um doutorado sanduíche na Universidade Politécnica de Valência, sob a supervisão do professor Avelino Corma, onde trabalhei com a síntese de zeólitas nanocristalinas. Essa experiência internacional ampliou minha visão científica, fortaleceu colaborações e evidenciou a ciência como uma construção coletiva e global.
Atualmente, sou pesquisadora do Laboratório de Cinética e Catálise (LCC-UERJ), onde atuo no projeto de pesquisa “Desenvolvimento de processo de produção de bioquerosene de aviação a partir do etanol via reação de Guerbet”. Paralelamente, dou continuidade à linha de pesquisa em oligomerização de olefinas, orientando um aluno de iniciação científica.
Ao longo dessa trajetória, a maternidade também passou a fazer parte da minha vida, trazendo novos desafios e aprendizados. Conciliar a carreira científica com a maternidade reforçou em mim valores como resiliência, empatia e organização, além de ampliar meu olhar sobre o papel da ciência e da formação de pessoas. Essa experiência mostrou que é possível construir uma carreira acadêmica sólida sem abrir mão das diferentes dimensões da vida, e que a diversidade de trajetórias fortalece a ciência.

23 01 26 Regional 2 Pesquisadora Juliana Bertoldi NoticiaVinda de uma cidade do interior do Paraná, Saudade do Iguaçu, com seus 6.100 habitantes (2022), tendo pais agricultores e vivendo na roça, não tinha nem ideia de estar onde estou hoje. Como digo: “as coisas só acontecem”. E aconteceram...

No ensino médio, estava entre História e Química como cursos de graduação, áreas completamente distintas, mas acabei por escolher Química por influência da minha irmã, Crislaine, também Química Bacharel.
A catálise entrou na minha vida quase que sorrateiramente. Tendo me graduado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Pato Branco (2015-2019), não havia área voltada para catálise, iniciei com IC na área de síntese e caracterização de óxidos, foi então que em 2016 um recém-chegado professor no departamento de Química, Rodrigo Brackmann, mudou minha trajetória acadêmica. Foi por intermédio do professor Rodrigo que iniciei minha vida na catálise em uma IC, seguido do TCC voltado para tri-reforma do metano feito em parceria com a Universidade de São Paulo.

Também com o empurrãozinho do Prof. Rodrigo, segui para o doutorado na USP – Campus Capital, tendo a honra de ser orientada pelo prof. Martin Schmal, orientador de diferentes gerações de pessoas catalíticas, de 2019 a 2025. Durante o doutorado, pude não somente ter o prazer de ser aluna do professor Schmal, mas também ter várias conversas filosóficas sobre a vida, sobre as coisas atuais do mundo, ou apenas jogar conversa fora tomando um cafezinho na copa.

Como resultado da nossa boa relação e convivência quase que de pai para a filha (nas palavras do próprio prof. Schmal), fizemos um trabalho bastante bonito tendo como ênfase um estudo aprofundado dos aspectos além da reação em catalisadores do tipo perovskita na reforma seca do metano, como formação de ligas metálicas e a mobilidade de oxigênio.

Ainda durante o doutorado, pude participar do programa PRINT/CAPES de doutorado sanduíche na University of New Mexico (EUA) por 6 meses, tendo como orientador o prof. Abhaya K. Datye, pioneiro do uso de ferramentas de microscopia eletrônica na caracterização de catalisadores, onde avaliei a síntese e caracterização de catalisadores Single-Atom utilizando técnicas como XANES, EXAFS, STEM-HRTEM e DFT. Experiência que levarei para a vida como extremamente produtiva tanto no contexto de laboratório em trabalhar com novas sínteses e novas técnicas de caracterização, como em ter a oportunidade de interagir e discutir profissionais respeitados na área da catálise.

Atualmente, sigo trabalhando na área de catálise, desta vez, na primeira casa de muitos catalíticos, o NUCAT na UFRJ, como pesquisadora de pós-doutorado, com ênfase na conversão de CO2 a produtos de maior valor agregado, tendo ainda a possibilidade de colaborar pesquisadores do INT nesta mesma área.

De fato, ao olhar para trás e ver como as coisas mudam e pensar onde estou hoje é quase que surreal, mas tenho certeza de que não estaria aqui se não fosse meus primeiros passos dentro da catálise lá em 2017 na UTFPR, interior do Paraná, com aquele professor, na época, recém-chegado.

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