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Minha trajetória acadêmica teve início na graduação em Engenharia Química, período em que comecei a desenvolver curiosidade pela pesquisa. Em 2008, ingressei na iniciação científica, experiência que foi decisiva para minha formação e para o despertar do meu interesse pela catálise. Posteriormente, realizei estágio na indústria, o que me proporcionou uma visão prática dos processos químicos e de suas demandas reais. Ainda assim, ao final da graduação, eu já estava convicta de que desejava seguir o caminho acadêmico e ingressar no mestrado.
Realizei o mestrado em Engenharia Química na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sob orientação da Profa. Cristiane Henriques e Dra. Cláudia Veloso onde estudei a formação de propeno e compostos aromáticos a partir do eteno, investigando essa rota como uma alternativa aos processos convencionais. Esse trabalho reforçou em mim o potencial da catálise como ferramenta estratégica para o desenvolvimento de processos mais eficientes e inovadores.
No doutorado, também pela UERJ, dei continuidade à minha formação em catálise, seguindo a linha de pesquisa em oligomerização de olefinas. Esse trabalho resultou na tese intitulada “Oligomerização de eteno catalisada por zeólitas de diferentes topologias”, e foi marcado por um amadurecimento científico significativo, com aprofundamento na compreensão da relação entre a estrutura do catalisador e o seu desempenho catalítico. Durante o doutorado, tive a oportunidade de realizar um doutorado sanduíche na Universidade Politécnica de Valência, sob a supervisão do professor Avelino Corma, onde trabalhei com a síntese de zeólitas nanocristalinas. Essa experiência internacional ampliou minha visão científica, fortaleceu colaborações e evidenciou a ciência como uma construção coletiva e global.
Atualmente, sou pesquisadora do Laboratório de Cinética e Catálise (LCC-UERJ), onde atuo no projeto de pesquisa “Desenvolvimento de processo de produção de bioquerosene de aviação a partir do etanol via reação de Guerbet”. Paralelamente, dou continuidade à linha de pesquisa em oligomerização de olefinas, orientando um aluno de iniciação científica.
Ao longo dessa trajetória, a maternidade também passou a fazer parte da minha vida, trazendo novos desafios e aprendizados. Conciliar a carreira científica com a maternidade reforçou em mim valores como resiliência, empatia e organização, além de ampliar meu olhar sobre o papel da ciência e da formação de pessoas. Essa experiência mostrou que é possível construir uma carreira acadêmica sólida sem abrir mão das diferentes dimensões da vida, e que a diversidade de trajetórias fortalece a ciência.
Minha trajetória como pesquisadora iniciou na graduação, em 1996 comecei com a iniciação científica na COPPE/UFRJ, primeiramente em corrosão no Programa de Engenharia Metalúrgica e Materiais com os professores Miranda, Ponciano e Lúcio. Posteriormente, em janeiro de 1998, fui convidada pelo Prof. Martin Schmal para integrar o Núcleo de Catálise (NUCAT) sob coorientação do Prof Victor Teixeira, professor do IME, na época.
Já formada, ingressei no mestrado e emendei o doutorado no NUCAT, sob coorientação da professora Silvana Braun, na época, professora da PUC-Rio, especializando-me na área de catálise ambiental, pesquisando catalisadores para eliminação de material particulado de diesel, com destaque para materiais à base de molibdênio e vanádio suportados em alumina. O trabalho envolveu preparação e caracterização dos catalisadores, utilizando técnicas analíticas tradicionais e técnicas in-situ para investigar o mecanismo de reação (TPO, DRX, XPS, FTIR, DRS, TPR, DRIFTS).
Após o doutorado, colaborei em projetos de avaliação de catalisadores para aplicações industriais, incluindo parcerias com empresas como UMICORE, OXITENO, CBMM e Petrobras. Buscando consolidar minha carreira acadêmica, atuei como professora substituta da Escola de Quimica/UFRJ e fui aprovada no concurso público para Professor Adjunto do Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, ficando classificada em segundo lugar. Na mesma época, fui aprovada no concurso da Petrobras, sendo admitida em 2008.
Na Petrobras, tive oportunidade de me aperfeiçoar com o Curso de Especialização em Eng. de Processamento da UERJ e cursos avulsos de Negociação Empresarial e Criação de Negócios Inovadores no IBMEC. Além disso, tive a satisfação de aplicar meu conhecimento prévio em catálise nas unidades de hidrorrefino da Petrobras, tanto na especificação de catalisadores para as licitações, quanto na assistência técnica às refinarias, acompanhando partidas das unidades industriais ou na investigação de problemas operacionais.
O início da carreira foi marcado por participação ativa na comunidade científica, incluindo organização de encontros técnicos, workshops e colóquios de engenharia química, fomentando a integração entre pesquisadores, indústria e academia, em especial o 12º Congresso Brasileiro de Catálise (2003). Também apresentei trabalhos em congressos nacionais e internacionais (Sociedade Brasileira de Química, North American Catalysis Society, International Congress on Catalysis), publiquei artigos completos em periódicos de relevância, como Journal of Catalysis e Applied Catalysis, e integrei equipes de inventores de patentes no contexto do desenvolvimento de catalisadores e novas metodologias, tendo recebido o Prêmio Inventor Petrobras em 2024. Orientei alunos de iniciação científica e participei de bancas de graduação, mestrado e doutorado. Nos últimos 17 anos, o trabalho no Centro de Pesquisas da Petrobras (CENPES) envolveu projetos de Gasquímica e de hidrotratamento (HDT) de naftas e diesel, com maior disseminação interna do conhecimento, através de relatórios, padrões, apresentações em eventos técnicos e aulas ministradas na Universidade Petrobras, tendo limitada produção científica pública por questões estratégicas da empresa.
Sinto-me realizada profissionalmente, com o privilégio de trabalhar com o que gosto, de poder orbitar da bancada para a escala industrial, da academia ao mercado de catalisadores. Nessa caminhada catalítica também encontrei meu companheiro e muitos amigos que admiro, a catálise faz parte da minha história de vida.
Filho de engenheiro químico, enxadrista e criado sob a forte influência do polo petroquímico de Cubatão (SP), Donato Aranda iniciou sua trajetória técnica como Técnico em Química em Santos (SP). Formou-se posteriormente em Engenharia Química pela Escola de Química da UFRJ, instituição onde hoje é Professor Titular.
Ainda no 4º período da graduação, recebeu uma bolsa do Prof. Giulio Massarani e passou a trabalhar com a Profa. Fátima Zotin, desenvolvendo experimentos de adsorção. Nos anos seguintes, participou do curso de Catálise ministrado pelo Prof. Eduardo Falabella e atuou como monitor das disciplinas de Cinética e Reatores do Prof. Martin Schmal. Após uma experiência enriquecedora na PETROQUISA S.A., decidiu seguir carreira acadêmica, ingressando no mestrado e posteriormente no doutorado na COPPE/UFRJ, sob orientação do Prof. Schmal e com apoio do Prof. Fabio Passos, seu primeiro parceiro em publicações científicas.
Os trabalhos iniciais renderam-lhe o Prêmio Atlantic de Produção Científica, competindo com alunos de toda a COPPE, e o levaram a ser um dos primeiros estudantes convidados a ingressar diretamente no doutorado. Após defender o doutorado, foi para os Estados Unidos, no laboratório do Prof. Fabio Ribeiro, então professor da Worcester Polytechnic Institute (Massachusetts).
Em 1997, foi aprovado em primeiro lugar no concurso para Professor de Cinética e Termodinâmica do Departamento de Engenharia Química da UFRJ. Já como docente, iniciou uma parceria científica extremamente produtiva com o saudoso Prof. Octávio Antunes, uma das figuras mais influentes de sua carreira. Em seguida, aprofundou-se na química teórica aplicada à catálise por meio da colaboração com o Prof. José Walkimar Carneiro, adquirindo uma compreensão mais profunda — e até libertadora — de muitos conceitos antes percebidos como excessivamente empíricos.
Nos anos posteriores, passou a dividir a coordenação do Laboratório de Termodinâmica e Cinética Aplicada (LATCA/UFRJ) com o Prof. Krishnaswamy Rajagopal, um dos maiores nomes da engenharia química brasileira. As contribuições do Prof. Raja foram fundamentais para consolidar a confiança necessária para enfrentar desafios industriais de grande porte.
O reconhecimento mais amplo do trabalho do Prof. Donato Aranda decorre de suas pesquisas em produção de biodiesel e de sua atuação junto a inúmeras empresas de biocombustíveis. Em 2003, licenciou a patente que viabilizou a primeira fábrica de biodiesel do Brasil e a primeira unidade no mundo a operar com catálise heterogênea, implantada pela Agropalma. Em 2005, recebeu o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica, entregue pelo Presidente da República, e em 2006 foi agraciado com a Medalha Tiradentes. Em 2007, conquistou o principal prêmio da Sociedade Brasileira de Catálise (Prêmio Catálise e Sociedade) e, no mesmo ano, foi homenageado com a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico, entregue pelo Presidente Lula. Também recebeu o prêmio Inventor Petrobras em 2009, 2011 e 2013, além do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica em 2018.
Paralelamente às pesquisas em novos processos catalíticos para produção de biocombustíveis, Aranda coordena o PROCAT, o maior centro de plantas-piloto em catálise da América Latina. Em 2022, em parceria com os Professores João Monnerat e Pedro Romano (IQ/UFRJ) e Eduardo Falabella (EQ/UFRJ), criou o LIPCAT/UFRJ — Laboratório de Intensificação de Processos e Catálise, hoje o maior laboratório de catálise do país.
Autor de cerca de 170 artigos científicos em periódicos internacionais, já concluiu a orientação de 104 dissertações e teses, deixando forte legado acadêmico. Atua ainda como Membro do Conselho Consultivo do Instituto SENAI de Inovação em Biomassa, Membro do Advisory Board da Brazil-Texas Chamber of Commerce (BRATECC), Coordenador da Rede Brasileira de Biodiesel (MCTI), Consultor Técnico da UBRABIO e consultor de diversas empresas de biocombustíveis no Brasil e no exterior.
Vinda de uma cidade do interior do Paraná, Saudade do Iguaçu, com seus 6.100 habitantes (2022), tendo pais agricultores e vivendo na roça, não tinha nem ideia de estar onde estou hoje. Como digo: “as coisas só acontecem”. E aconteceram...
No ensino médio, estava entre História e Química como cursos de graduação, áreas completamente distintas, mas acabei por escolher Química por influência da minha irmã, Crislaine, também Química Bacharel.
A catálise entrou na minha vida quase que sorrateiramente. Tendo me graduado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Pato Branco (2015-2019), não havia área voltada para catálise, iniciei com IC na área de síntese e caracterização de óxidos, foi então que em 2016 um recém-chegado professor no departamento de Química, Rodrigo Brackmann, mudou minha trajetória acadêmica. Foi por intermédio do professor Rodrigo que iniciei minha vida na catálise em uma IC, seguido do TCC voltado para tri-reforma do metano feito em parceria com a Universidade de São Paulo.
Também com o empurrãozinho do Prof. Rodrigo, segui para o doutorado na USP – Campus Capital, tendo a honra de ser orientada pelo prof. Martin Schmal, orientador de diferentes gerações de pessoas catalíticas, de 2019 a 2025. Durante o doutorado, pude não somente ter o prazer de ser aluna do professor Schmal, mas também ter várias conversas filosóficas sobre a vida, sobre as coisas atuais do mundo, ou apenas jogar conversa fora tomando um cafezinho na copa.
Como resultado da nossa boa relação e convivência quase que de pai para a filha (nas palavras do próprio prof. Schmal), fizemos um trabalho bastante bonito tendo como ênfase um estudo aprofundado dos aspectos além da reação em catalisadores do tipo perovskita na reforma seca do metano, como formação de ligas metálicas e a mobilidade de oxigênio.
Ainda durante o doutorado, pude participar do programa PRINT/CAPES de doutorado sanduíche na University of New Mexico (EUA) por 6 meses, tendo como orientador o prof. Abhaya K. Datye, pioneiro do uso de ferramentas de microscopia eletrônica na caracterização de catalisadores, onde avaliei a síntese e caracterização de catalisadores Single-Atom utilizando técnicas como XANES, EXAFS, STEM-HRTEM e DFT. Experiência que levarei para a vida como extremamente produtiva tanto no contexto de laboratório em trabalhar com novas sínteses e novas técnicas de caracterização, como em ter a oportunidade de interagir e discutir profissionais respeitados na área da catálise.
Atualmente, sigo trabalhando na área de catálise, desta vez, na primeira casa de muitos catalíticos, o NUCAT na UFRJ, como pesquisadora de pós-doutorado, com ênfase na conversão de CO2 a produtos de maior valor agregado, tendo ainda a possibilidade de colaborar pesquisadores do INT nesta mesma área.
De fato, ao olhar para trás e ver como as coisas mudam e pensar onde estou hoje é quase que surreal, mas tenho certeza de que não estaria aqui se não fosse meus primeiros passos dentro da catálise lá em 2017 na UTFPR, interior do Paraná, com aquele professor, na época, recém-chegado.
Minha trajetória acadêmica é totalmente conectada à catálise. Entrei no Bacharelado em Química na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em 2015, curioso, mas sem direção definida. Foi no grupo GreenCat, sob orientação do Prof. Dr. Jean Marcel R. Gallo, que tive meu primeiro contato real com catálise heterogênea e biomassa, estudando catalisadores à base de nióbio para a conversão de monossacarídeos em 5-hidroximetilfurfural e furfural. Ali percebi que a catálise unia o que eu buscava: rigor científico e interdisciplinaridade, exigindo domínio integrado de áreas da Química e da Engenharia Química.
Os eventos da Sociedade Brasileira de Catálise (SBCat) começaram a mudar minha forma de enxergar a ciência. No XII Encontro Regional de Catálise, em 2016, eu era um aluno de IC impressionado com as discussões após cada palestra. No CBCat de 2017, fiz minha primeira apresentação oral, venci o medo e saí do auditório com uma colaboração com a CBMM e reagentes de nióbio para o meu projeto. Foi a primeira vez que senti que eu podia contribuir para a comunidade de catálise.
Concluí a graduação em 2018 na UFSCar, recebi prêmios acadêmicos e ingressei diretamente no doutorado em Química Inorgânica, sob supervisão do Dr. Caue Ribeiro de Oliveira e do Prof. Dr. Jean Marcel R. Gallo. Aprofundei-me em catalisadores bifuncionais à base de nióbio e em carbonos ácidos, com a biomassa como ponto de partida. A experiência de intercâmbio na University of Eastern Piedmont (UPO, Itália), estudando acidez superficial por FTIR com moléculas sonda, e o período como doutorando visitante na King Abdullah University of Science and Technology (KAUST, Arábia Saudita), desenvolvendo modelos cinéticos, ampliaram horizontes, idiomas e redes.
Em 2024 defendi o doutorado com honra e, pouco depois, iniciei o pós-doutorado, primeiro no Brasil, no grupo LabIvo, do Prof. Dr. Ivo Teixeira, onde me aprofundei em análises avançadas, otimizando métodos cromatográficos em GC-BID para reações fotocatalíticas de conversão de metano. Essa etapa refinou meu olhar para detalhes e mostrou como uma boa análise é tão decisiva quanto um bom catalisador.
Em seguida, em 2025, vim para a King Abdullah University of Science and Technology (KAUST, Arábia Saudita), onde atuo como pesquisador de pós-doutorado no grupo MuRE, liderado pelo Prof. Dr. Pedro Castaño. Meu trabalho é dedicado a desafios energéticos atuais, em projetos que vão desde a liquefação hidrotérmica de algas – transformando biomassa úmida em bio-óleo e reaproveitando a fase aquosa como meio nutritivo para o crescimento de mais algas – até a síntese de fosfetos de metais de transição para reações de hidrodenitrogenação e hidrodesoxigenação de bio-óleos, além do estudo de desasfaltamento catalítico de resíduos pesados de petróleo em parceria com a Aramco. No dia a dia, isso significa operar reatores em alta pressão, interpretar dados de múltiplas técnicas e dialogar com engenheiros e químicos para transformar ideias em processos. Hoje, a catálise é mais do que minha área de pesquisa: é a lente pela qual enxergo problemas energéticos, ambientais e industriais.
O impacto da catálise na minha vida vai além do laboratório. Nos congressos da SBCat encontrei mentores, amigos e até parceiros de música. Ver professores subirem ao palco para tocar e, depois, criar com amigos o grupo "Pagode Catalítico" mostrou que a ciência pode ser exigente e, ao mesmo tempo, leve e humana. A honra de atuar como embaixador da SBCat na Regional 3, em 2025, reforçou meu desejo de "catalisar a catálise": aproximar pessoas, suavizar barreiras e mostrar que, por trás de cada reação, há histórias e emoções.
Se hoje me vejo como cientista, é porque a catálise me deu uma voz, um propósito e uma comunidade. Ela me levou para outros países, me ensinou a dialogar com diferentes culturas e mostrou que moléculas convertidas, processos otimizados e alunos inspirados podem, pouco a pouco, transformar a realidade ao nosso redor.