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16 04 SBCAT Pesquisador Leonardo Baltazar NoticiaA Química sempre despertou meu interesse. Mas, minha primeira escolha profissional foi a Odontologia. Prestei vestibular para esse curso na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), mas não obtive aprovação. Então, decidi ingressar no curso de Química, acreditando que uma formação sólida nessa área poderia me ajudar a cursar odontologia. O plano quase deu certo — não fosse um detalhe fundamental: eu me encantei pela Química e nunca mais considerei seguir outro caminho.

Apesar dos desafios da graduação, concluí o curso de Licenciatura em Química pela UFMA. No final da graduação tive meu primeiro contato com a pesquisa, trabalhando com materiais adsorventes, sob orientação do Prof. Cícero Wellington B. Bezerra, onde dei os primeiros passos na construção da minha identidade como pesquisador. No mestrado, também sob sua orientação no PPGQuim/UFMA, aprofundei essa linha de investigação, explorando o uso de biomassas como adsorventes. Foram anos dedicados ao estudo da adsorção, área que contribuiu muito para minha formação científica.

Ao iniciar o doutorado, em 2007, na UFSCar, decidi redirecionar minha trajetória e entrar no universo da catálise. Mesmo reconhecendo a relação entre adsorção e catálise heterogênea, optei por atuar na catálise homogênea. Desenvolvi meu trabalho no Laboratório de Síntese e Reatividade de Compostos Inorgânicos (LERCI), sob orientação do Prof. Alzir A. Batista, com colaboração do Prof. Dr. Victor Marcelo Deflon, do IQSC-USP.

Minha pesquisa concentrou-se no uso de oxo-vanadatos como catalisadores em reações de oxidação do cicloexano. Durante esse período, tive a oportunidade de contar com a colaboração do Prof. Dalmo Mandelli, então na PUC-Campinas, cuja experiência em catálise foi fundamental para o desenvolvimento do meu trabalho. Com frequência me deslocava para Campinas/SP onde desenvolvi parte do meu projeto de doutorado

Foi um período de intenso aprendizado, tanto pelo domínio de técnicas analíticas e de caracterização, como RMN, EPR, FTIR, GC e GC-MS, quanto, pela convivência com pesquisadores que marcaram profundamente minha formação. Nesse contexto, destaco o Prof. Alzir, cuja orientação foi decisiva para o desenvolvimento do meu pensamento científico, rigor metodológico e autonomia como pesquisador. Sua atuação foi fundamental para consolidar minha formação acadêmica e orientar minha inserção qualificada na área de catálise.

Destaco também o Prof. Dr. Otaciro R. Nascimento, do IFSC/USP, cujos ensinamentos extrapolaram o campo científico e contribuíram para minha visão de carreira e de vida.

Na etapa final do doutorado, passei a ser orientado pela Profa. Clelia Mara de Paula Marques, cuja sólida experiência em catálise, especialmente heterogênea, foi decisiva para consolidar e aprofundar a análise do sistema catalítico estudado. Sua orientação proporcionou uma visão mais integrada e estratégica do trabalho, contribuindo para minha inserção na área de catálise no Brasil.

Atualmente, sou professor do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Campus Codó, atuando no PPGQ/IFMA e liderando o Grupo de Estudos em Inorgânica e Catálise (GEIC/IFMA). Sou fundador do Clube de Astronomia de Codó (CAC/IFMA) e já atuei como coordenador do curso de Licenciatura em Química, coordenador geral dos cursos de graduação e chefe do Núcleo de Pesquisa do Campus Codó.

Minhas pesquisas do concentram-se na síntese de biocarvões a partir de materiais lignocelulósicos do leste maranhense, com aplicações na adsorção e na catálise. Paralelamente, atuo no Programa de Pós-Graduação em Ensino na Educação Básica (PPEEB/UFMA), com pesquisa em métodos de aprendizagem cooperativa, CTS/CTSA e Tecnologias Digitais Educacionais.

A catálise não apenas redefiniu minha trajetória acadêmica, mas também ampliou minha forma de enxergar a Química: como uma ciência dinâmica, integradora e capaz de propor soluções para desafios reais. É essa perspectiva que procuro transmitir aos meus alunos e aos novos pesquisadores que ingressam nessa área tão instigante

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